Gaza vive nesta segunda-feira um dia de protestos e greve geral, com adesão massiva, por conta da mudança da embaixada dos Estados Unidos de Tel Aviv para Jerusalém, que representa um reconhecimento da cidade como capital de Israel, contra o consenso internacional que valia até agora. Escolas, universidades, bancos, lojas e instituições públicas fecharam as portas e no começo da manhã alguns pneus foram queimados nos principais cruzamentos da capital, onde quase não há carros circulando. Caminhões e ônibus, por outro lado, estão em vários pontos de Gaza e outras cidades para buscar os moradores e levá-los às fronteiras com Israel, onde foram convocadas para amanhã manifestações, no que tem sido chamado como Dia da Ira. Além disso, a partir de alto-falantes, as mesquitas convocam a população para participar e se unir aos protestos, pedindo 1 milhão de pessoas nas ruas. O Exército israelense está em estado alerta e reforçou o contingente nas imediações da cidade palestina, com aumento no número de soldados de combate, unidades especiais, forças de inteligência e atiradores de elite. O órgão também lançou panfletos de aviões informando que não haverá tolerância com danos no muro de segurança da fronteira. Para amanhã também foram convocadas manifestações por ocasião da Nakba (Catástrofe, em árabe), como os palestinos denominam o exílio e a usurpação que representa para eles a criação do Estado de Israel, que completa 70 anos ontem. Um palestino morreu e pelo menos 147 foram feridos nos protestos na fronteira da Faixa de Gaza contra a transferência da Embaixada dos Estados Unidos de Tel Aviv para Jerusalém e por ocasião da Marcha do Retorno, que reivindica o direito dos refugiados a voltar aos seus lares. Segundo confirmou o porta-voz do Ministério da Saúde palestino em Gaza, Ashraf al Qedra, o morto é Anas Qudieh, de 21 anos, atingido por uma bala no leste de Khan Yunis, no sul do território. Outros 93 palestinos ficaram feridos de bala, cerca de 15 por estilhaços procedente de disparos, pelo menos dez por inalação de fumaça e 29 com golpes e contusões. Fonte: Agência EFE