A Odebrecht debateu nesta quinta-feira em um congresso sobre o combate à lavagem de dinheiro a estratégia que implementou para recuperar a confiança dos governos e da sociedade após o escândalo sobre o pagamento de propinas revelado há mais de dois anos.

Segundo Michael Munro, ex-chefe de Compliance e agora responsável por implantar um programa de conformidade, ética e transparência na Odebrecht, o primeiro passo para encarar uma situação assim deve ser "admitir o erro" e "aceitar as consequências", que no caso da construtora foram multas milionárias e a proibição de participar de licitações públicas durante algum tempo.

Uma vez superada esta fase, na opinião do executivo, será necessário explicar as mudanças e os novos controles implementados para evitar novos atos criminosos e enfatizar que a Odebrecht é "uma empresa com mais de 70 anos de experiência e que nunca teve questionada a qualidade das obras".

"As pessoas não vão acreditar assim porque sim. Temos que provar que mudamos. Vai levar tempo, mas é questão de insistir e de explicar quem somos e os grandes projetos que realizamos", comentou.

Munro foi um dos palestrantes do XXII Congresso Hemisférico para a prevenção da lavagem de dinheiro, financiamento do terrorismo e da proliferação de armas de destruição em massa, que reúne até sexta-feira na capital panamenha mais de mil trabalhadores e especialistas financeiros de 16 países do continente americano.

O dirigente da Odebrecht explicou durante a conferência "Abordar o passado, trabalhar para o futuro" que o programa aplicado é similar aos desenvolvidos por outras empresas que já enfrentaram escândalos de corrupção e pagamento de propinas, como a alemã Siemens e a francesa Total.

O plano consiste em melhorar a comunicação interna da empresa, habilitar um departamento para que os próprios funcionários possam denunciar práticas irregulares, reforçar o controle sobre os pagamentos em espécie, as viagens da empresa, assim como endurecer a vigilância sobre as doações e patrocínios, entre outras medidas.

"Os programas não são estáticos, estão sempre em evolução e em melhoramento. Sabemos que temos alguns dos melhores programas de compliance do mundo, mas não é suficiente, é preciso melhorar constantemente", opinou.

Fonte: Agência EFE