Os candidatos às eleições presidenciais do próximo domingo no Brasil aproveitaram o último debate TV para questionar a polarização atual que divide o país entre a extrema-direita de Jair Bolsonaro, que não participou do debate, e o apadrinhado de Lula, Fernando Haddad.
"Eu acho que o presidente a ser eleito nestas circunstâncias não vai governar, teremos outro impeachment", disse o candidato do PDT, Ciro Gomes, referindo-se à indústria atual do país e recordando que o mesmo aconteceu em 2014, quando Dilma Rousseff ganhou por pequena margem nas eleições com um país igualmente polarizado e acabou demitido pelo Congresso.
A maioria dos sete candidatos que participaram no debate que se refere à radicalização que divide o país entre Bolsonaro, que lidera as pesquisas com 35% de favoritismo, reforçando que ele veio para o debate devido a justificativa médica de seu estado de saúde, após facada que ele sofreu em Juiz de Fora.
A ambientalista Marina Silva, a terceira mais votada nas últimas eleições presidenciais de 2014, concordou que o presidente será escolhido em um contexto de polarização e radicalização como as condições atuais não governam.
"Se permanece esse ambiente de medo de Bolsonaro, medo de Haddad, de raiva de um ou de outro, o Brasil viverá nos próximos quatro anos uma situação de completa instabilidade econômica, política e social", afirmou Marina.
A candidata disse que há oito anos vem advertindo que o Brasil está se dirigindo para uma situação de ódio e separação e, nesse sentido, pediu aos eleitores que não considerem as eleições como um plebiscito e que não decidam em função de medo ou de ódio".
Embora a maioria das críticas tenham sido dirigidas a Bolsonaro, os candidatos não se esquivaram de questionar sobre o Lula, impedido de participar das eleições por estar preso cumprindo sentença de 12 anos de prisão por corrupção, o que lhe fez escolher Haddad como seu sucessor na corrida eleitoral.
O senador centrista Álvaro Dias chegou a afirmar que havia levado uma pergunta por escrito a Lula por considerá-lo como o verdadeiro candidato do PT e lembrou todas as denúncias de corrupção que se espalharam nessa formação.
O ex-ministro Henrique Meirelles, candidato do Movimento Democrático Brasileiro (MDB), a formação liderada pelo presidente Michel Temer, lembrou que em 1989, os brasileiros elegeram Fernando Collor pensando que era um "salvador da pátria", como diz Bolsonaro, e que o país caiu em uma grave crise que terminou em tragédia.
"Isso é importante para votar em projetos e não em pessoas que prometem Brasil atualmente vivendo o drama de um choque entre duas personalidades (...) Peço a Deus que nos ilumine para encontrar uma outra maneira", respondeu Ciro Gomes.
Haddad aproveitou a ausência de Bolsonaro para criticar as propostas polêmicas defendidas por alguns de seus conselheiros, como a criação de novos impostos que afetam os pobres e suspendem alguns direitos trabalhistas, incluindo o 13º salário e adicional de férias, por exemplo.
"Não podemos fingir que está tudo bem. Há meses estamos em uma campanha marcada por ódio. Nós saímos há 30 anos da ditadura. Faz 30 anos, mas eu acho que a gente nunca esteve tão perto, se estamos hoje discutindo aqui é porque teve gente que deu o sangue para isso”, disse o candidato de esquerda Guilherme Boulos, do Partido Socialismo e Liberdade (PSOL).
Fonte: Agência EFE




