A publicação da exoneração de Vanderlei José Crestani é o assunto da portaria 464 do município. Ela foi assinada após a prisão temporária do homem que é tido por alguns como o “braço direito” do prefeito Augustinho Zucchi desde o primeiro dia de seu primeiro mandato de prefeito, ainda na gestão 2013/2016.
Durante todo o primeiro mandato de Zucchi e até esta terça feira, dia 19, Crestani, preso na operação Hígia, respondia pela Secretaria de Administração e Finanças.
Durante a coletiva de imprensa em seu gabinete, Zucchi teceu elogios ao ex-secretário. “Conheci na minha vida poucas pessoas com tamanha capacidade. Pato Branco deve muito ao Crestani. Vai ter saudades do Crestani”, disse ele, enaltecendo o conhecimento técnico e capacidade dele.
“Tenho confiança na inocência dele, mas é óbvio, ele era o secretário de administração e finanças, recai sobre ele a coordenação da administração. Tudo cai ali (secretaria). A prefeitura hoje está meio perdida, porque é alguém que resolvia com capacidade, dinamismo, inteligência, com extremo preparo”.
A exoneração de um aliado político de longa data como o Crestani, segundo Zucchi, foi conduzida com o mesmo critério tomado para a exoneração de Antonieta Chioquetta, em agosto. “Tenho plena confiança e se não tivesse, não teria nomeado. Me dói muito, mas, ossos do ofício. Tenho esta responsabilidade e espero que o tempo lhe dê condições de se defender”, afirmou, enfatizando sua confiança em Crestani.
Com o anúncio da exoneração de Crestani, outro questionamento pairou no gabinete, o de quem será seu substituto. Segundo Zucchi, no momento não tem substituto imediato. “Não conheço ninguém com as mesmas qualidades”.
Ele também afirmou acreditar que duvida que Crestani volte a conduzir a secretaria que é responsável pela administração municipal, caso seja comprovada sua inocência. “Todo mundo têm direito a presunção da inocência. Se for inocente (...), mas vou dizer uma coisa, duvido que ele aceite”.
SINDICÂNCIA
Crestani foi um dos escolhidos por Zucchi para coletar informações que resultaram na exoneração de Antonieta e na sindicância da saúde. Questionado se em nenhum momento o ex-secretário demostrou envolvimento, Zucchi voltou a mostrar confiança no homem que assinava a grande maioria dos despachos com ele.
“Tenho certeza que ele não tinha envolvimento. Não sei também quais são as razões pelas quais se tomou essa decisão (prisão temporária). Eu aguardo uma decisão da justiça quanto essa decisão”, disse.
Ele também disse que todas as informações do município constam no portal de transparência e completou “podem investigar e tem que investigar tudo. Se tiver problemas como teve na saúde, temos que tomar a decisão (afastamento e exonerações conforme o caso)”.
Para a população Zucchi dirigiu algumas palavras em tom de pedido. “Confiem no trabalho que está sendo feito. As coisas erradas se forem do meu conhecimento, vou tomar uma posição”.
“Sempre soube de problemas que havia com questão de medicamentos, e eu sempre quis cortar isso e agora não tivemos muito êxito. Mas temos que esperar para averiguar a extensão que tiveram, coisas que a sindicância e a operação vão revelar”, afirmou o prefeito, que disse não temer novas sindicâncias e descobertas mais amplas da polícia ao longo da investigação.
CRESTANI
Prefeito de Chopinzinho por três mandatos (1997-2000/ 2005-2008/ 2009-2012), Crestani foi um dos primeiros nomes anunciados por Zucchi para compor suas secretarias ainda no seu primeiro mandato como prefeito.
Durante a coletiva, Zucchi lembrou de fatos ligados a atuação de Crestani como prefeito de Chopinzinho que levaram a polícia a realizar buscas na casa do seu ex-secretário, que na oportunidade pediu para ser exonerado, mas que ele manteve por acreditar na pessoa com quem trabalhava.
Procurada, a defesa de Crestani disse que só se manifestará após o ex-secretário ser ouvido pela polícia. Até o final da tarde de ontem, ele não havia prestado depoimento, o que deve acontecer nesta quarta feira, dia 20.
(Fonte: Diário do Sudoeste)




