O hospital Policlínica Chopinzinho através dos seus diretores João Carlos Guarienti, Riad Maica Quader, Carlos Nunes Ojeda e Walmir Biesek, reunidos no último sábado, dia 23, anunciaram que a partir desta semana o hospital estará paralisando alguns atendimentos ao público. A confirmação foi feita pelo médico Dr. João Carlos Guarienti. “Infelizmente viemos a público anunciar a paralisação do atendimento do sobreaviso que é dado ao plantão de urgência e emergência da Policlínica Chopinzinho, do qual o governo está com os pagamentos em atraso há 14 meses, o que deixa o hospital em situação difícil financeiramente. Nesse convênio, o governo do estado faz o repasse dos recursos para o município que por sua vez transfere para o hospital. Sendo assim, o hospital alega que o contrato que eles possuem é com o município e não com o estado. Diante disso, a partir do final do mês, quando vence o contrato do sobreaviso, a direção do hospital decidiu que o mesmo não será renovado, ao mesmo tempo em que também estamos dando entrada nesta semana ao pedido de descredenciamento dos internamentos do SUS e do plantão de urgência e emergência”, destacou o médico.
Fazendo uso da palavra o médico Dr Walmir Biesek esclareceu qual é a diferença entre atendimento do sobreaviso e plantão de urgência e emergência. “O plantão de sobreaviso engloba cinco especialidades, que são pediatria, ginecologia e obstetrícia, anestesiologia, cirurgia geral e ortopedia. Esse convênio está com os pagamentos em atraso há 14 meses, o qual está finalizando no próximo dia 30 e diante da situação não será renovado. Existe ainda o convênio do plantão de urgência e emergência, do qual o município está com os pagamentos em dia, e será mantido até vencer os prazos legais previstos no contrato, o qual que prevê que o encerramento do mesmo deve ser comunicado com pelo menos 30 dias de antecedência por qualquer uma das partes envolvidas”, destacou Biesek.
Ao ser indagado sobre a possibilidade do cancelamento do contrato do atendimento de urgência e emergência, o médico Dr. Riad Maicá Quader explicou os motivos. “A paralização do atendimento do sobreaviso, irá refletir diretamente no atendimento do plantão, porque não teremos a resolução dos quadros de atendimento da urgência e emergência, tendo em vista que os dois estão diretamente ligados. Isso deverá comprometer também esse atendimento, o que num futuro próximo deverá acabar evoluindo para a paralisação do serviço de urgência e emergência por não ter esse suporte para que o médico se sinta mais seguro e confiante para realizar o seu trabalho no atendimento de urgência e emergência”, disse Riad.
Quanto ao pedido de descredenciamento dos internamentos do SUS, o médico Dr Carlos Nunes Ojeda lembrou que os valores que são pagos não cobrem nem os custos dos serviços prestados. “Os valores que são pagos hoje pelo SUS, infelizmente não conseguem nem cobrir a folha de pagamento dos funcionários. Para que o hospital consiga se manter e continue funcionando, há um ano e meio está sendo retido os pagamentos que seriam para os médicos para poder o hospital continuar funcionando. Os valores repassados pelo SUS não cobrem sequer os custos de manutenção do hospital. Diante disso, nós da diretoria temos procurado às autoridades competentes para tentar solucionar o problema pelo menos de maneira paliativa, mas infelizmente percebemos um descaso muito grande. Com isso, pedimos a compreensão da população de Chopinzinho, pois não é da nossa vontade, mas não vemos outra saída, pois a muitos anos estamos empenhados na busca por recursos junto as autoridades competentes e até hoje o que ouvimos foi só promessas”, ponderou Dr Carlos.
Ao finalizar Dr João Carlos disse que espera a compreensão da comunidade, mas é uma medida que precisava ser tomada antes que a situação se tornasse insustentável. “Essa atitude não foi tomada por impulso. Nós estamos com a consciência tranquila, lutando dia e noite por um serviço. Acreditamos num sonho de transformar Chopinzinho num pólo regional de saúde, onde houve grandes investimentos em UTI, centro médico e numa estrutura invejável. Com essa situação perde-se a possibilidade de reabertura das UTIs, de ser referência em saúde mental, de ter cuidados prolongados para doentes num hospital de longa permanência, sem contar com o fator principal onde perde a população numa qualidade e segurança que a saúde representa para o dia a dia de cada cidadão de Chopinzinho”, destacou Guarienti.
Sobre a possibilidade de reverter essa decisão, a direção do hospital disse que é possível e é o desejo de todo o corpo clínico, porém, acham difícil porque há muitos anos vem se buscando uma solução, apresentando os números e alertando para as dificuldades, sendo que em uma semana dificilmente irão resolver um problema que se arrasta há tanto tempo.




